Últimas Notícias

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Resíduos fecais acumulam a céu aberto em bairro na cidade de Queimadas

 Foto: Pedro Oliveira


Por Pedro Oliveira

O Rio Itapicuru, que banha vários municípios da região sisaleira, agoniza na cidade de Queimadas em consequência do lançamento de dejetos sanitários sem qualquer espécie de tratamento, nas águas que antes límpidas e cheias de vidas, hoje barrenta e mal cheirosa, assusta a população. O rio perene que oferecia boa pesca e lazer para os que gostam de tomar banho de água corrente hoje se apresenta de forma temporária diante as barragens de Pedras Altas em Capim Grosso e de Ponto Novo que limitam o fluxo hídrico. 

Em Queimadas, a poluição do rio começa no bairro Alto da Jacobina e se estende até a comunidade dos Coxos. Mas, a gravidade da situação é facilmente identificada, quem chega ao Bairro Pontilhão da Bomba onde 50% das cargas de dejetos sanitários da cidade ficam acumuladas no riacho semelhante à areia movediça com odor terrível que incomoda os moradores, principalmente no horário do almoço - meio dia -, quando o mau cheiro é mais forte. “Tem dia que ninguém suporta a fedentina do “pinicão” dentro de casa. Os dejetos que saem das residências, comércios, clínicas e hospital, são despejados no riacho ao lado de nossa casa”, argumenta o morador e estudante Luiz Paulo 18 anos.

Para Laerte Alves da Silva, encarregado de obras do município, a poluição do Itapicuru, teve inicio na década de 80 quando os dejetos sanitários da cidade foram lançados no rio, o que tem contribuído para a contaminação de suas águas e morte de parte da mata ciliar no perímetro urbano. “Acredito que existam hoje, 10 km de rio a acima e 10 de rio a baixo, sem mata ciliar. É muito triste vermos a situação em que o afluente se encontra, eu que já tomei banho e já pesquei em suas águas límpidas e cristalinas, é de cortar o coração. Muita gente que vivia da pesca - peixe e pitu -, não vive, mais. Acredito que o rio só voltara a ter vida quando construírem a estação de tratamento de esgotamento sanitário”, diz.

Além da poluição do rio, outra preocupação do prefeito André Andrade, são os dejetos fecais que são despejados em um riacho no bairro Pontilhão da Barra. Para amenizar o sofrimento dos moradores a prefeitura vem investindo em infra-estrutura, com serviços de pavimentação de ruas a paralelepípedos. “Existe um projeto na FUNASA, no valor de 28 milhões que visa à construção da estação de tratamento de esgotamento sanitário da cidade, mas as obras só deverão começar a partir de 2025. Nesses quatro anos e oito meses de nosso governo, já atingimos uma marca inédita de recuperação da rede de esgoto sanitário, porém não temos estação de tratamento para devolvermos ao rio, água límpida e tratada. Quanto à barragem dos Coxos construída nos anos 90, época em que o local virou ponto turístico dos banhistas, com o passar dos anos, o espaço foi acumulando dejetos in natura e hoje a área está imprópria para banho e pesca”, comenta o gestor.

Páginas