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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Essa Catedral me fará falta: diz Dom Ottorino ao completar 75 anos e se despedir de Serrinha

 




A frase foi emitida com uma forte carga emocional após a missa de despedida e comemoração dos seus 75 anos, no domingo (31), na Catedral, e resume o amor que marcou seu pastoreio nas terras sertanejas. Ao se referir ao templo, reformado com muito zelo, na verdade, se referiu a toda a Diocese, com suas 27 paróquias. 

Devido a pandemia, a Catedral não estava cheia de pessoas, como de costume, mas estava carregada de momentos profundos e significativos. Começando pela presença de todo o clero, pela presença de dois bispos, Dom Hélio, coadjutor, e Dom Ettori Dotti, da Diocese de Naviraí, ordenado presbítero em Serrinha. Pela representação de lideranças que trouxerem consigo o afeto e gratidão dos seus irmãos. 

Todos foram pegos com uma agradável surpresa quando o Pe. Evandro, reitor do seminário, com um ungido nervoso, deu a conhecer que foi solicitado a fazer a homilia. O cuidado nas palavras foi o suficiente para resumir a caminhada do Dom: um moisés, conduzindo o povo no deserto, a caminho da salvação, apontando para Jesus Cristo. 

As recordações ganharam ainda mais intensidade nas diversas homenagens de lideranças políticas, pastorais, do clero, do povo cuidado pelas diversas obras sociais de sua autoria. De repente, um canto sertanejo, proferido pelo Pe. George, ao lado da imagem de Santana, reverberou pelo ar da Catedral, transformando lembranças em lágrimas, em espiritualidade. 

O rosto, marcado pelo emoção, atípico a sua personalidade, é o sinal do quanto ele mudou e foi mudado pelo sol da Igreja de Serrinha nos 15 anos que passou a frente da Igreja. Percorreu essas terras secas, assim como fez o povo no deserto, de comunidade em comunidade, conhecendo a história e as dores do povo de Deus, se fazendo pastor com cheiro de ovelhas.

Não sem dificuldades, incompreendido em muitos momentos, mas com um zelo ímpar, foi profeta e anunciador do Evangelho, exortando e corrigindo os fiéis na prática do amor e da verdade. Sempre com uma palavra forte, denunciou os desmandos dos poderes públicos, o relativismo dos valores, apontou caminhos para o bem. Construiu na Diocese de Serrinha diversas obras sociais para crianças, jovens, idosos. 

Por fim, numa atitude abnegada, Dom Ottorino, já profundamente emocionado e introspectivo, como um viajante que tem que partir, resumiu todo o seu percurso, a partir do seu lugar, pedindo perdão pelas vezes que, devido a sua intensidade, não conseguiu corresponder com as expectativas e nem se fazer ser entendido. Em suas fortes e intensas palavras, seus limites revelavam o verdadeiro autor de tudo isso: Jesus Cristo, a razão da sua vida e da sua entrega.

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