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domingo, 9 de setembro de 2018

Tok de história: Pega de boi no mato



PEGA DE BOI NO MATO 

      Com o objetivo de preservar a memória do sertanejo, reconhecendo a valentia e a importância do vaqueiro nordestino e para manter viva uma tradição, cresce cada vez mais o esporte da Pega de boi no mato por todo Nordeste brasileiro. 
       Diferente da famosa vaquejada onde o  boi corre numa arena demarcada perseguido por uma dupla de cavaleiros, a pega de boiboi no mato acontece no meio da vegetação catingueira, com os vaqueiros encourados se embrenhando no mato em cima de seus cavalos ligeiros para pegar o boi. Enfrentando espinhos, juremas e touceiras de Xique  Xique  demonstrando coragem e valentia. Qual quer acidente pode ser fatal, pois, segundo os sertanejos, os cavalos chegam a alcançar  60 Km/h  na velocidade máxima da corrida no meio da  vegetação ressequida e pontiaguda. As roupas de couro são essenciais, usadas pelos vaqueiros para se proteger de acidentes na busca do boi no meio  do mato. A principal peça é o gibão, que cobre os homens do pescoço a cintura, como se fosse um paletó de couro. Tem o guarda- peito, que é um pedaço de couro curtido com que os vaqueiros resguardam o peito, preso no meio de correias ao pescoço e a cintura. Depois vem a perneira, que é a calça de couro ajustada ao corpo, vai do pé a virilha, mas deixa o corpo livre para cavalgar. Não pode faltar o tradicionalussimo chapéu de vaqueiro nordestino, que além de lhe proteger do sol, serve como escudo contra eventuais golpes na cabeça, e nos pés vem as esporas, um instrumento de metal  que se põe no salto do calçado para incitar o animal que se monta. 
       A Pega de boi no mato é uma tradição que remonta os primeiros tempos da ocupação do sertão nordestino pelos brancos europeus. Antigamente numa época onde não existia o arame farpado, os animais eram criados soltos pelas propriedades rurais. A idéia era deixar os animais mais a vontade para buscarem a alimentação. Em determinadas épocas os vaqueiros encourados adentravam a caatinga para realizar a pega de boi. Sempre em meio a muita destreza, coragem e com os vaqueiros entoando seus cânticos, seus aboios no meio das "Pegas".Era tudo uma grande confraternização. Depois de reunir os animais era normal os vaqueiros de uma fazenda encontrarem bichos marcados com ferros de outras propriedades. Então ocorriam as famosas festas de " apartaçāo ", onde os animais eram entregues aos legítimos donos criando entre os habitantes do Sertão fortes laços de amizade.  Vemos assim como eram importantes os tradicionais ferros de marcar animais. Os atuais eventos são realizados nas mesmas propriedades sertanejas do passado,  cujos proprietários dispinibilizavam seus terrenos, animais e alimentação para todos aqueles que do evento participam. Os vaqueiros precisam pagar uma inscrição, um valor simbólico, bem diferente do que é cobrado nas grandes vaquejadas. Na pega de boi no mato os bichos são soltos em uma área da caatinga preservada a quem conseguir recuperar os animais é então declarado vencedor ou vencedores, e no termino do evento são premiados. A premiação é feita com troféus e brindes (animais, celas, arreios), normalmente doados pelos parceiros que organizam estes eventos. Como não poderia deixar de ser em uma tradicional festa nordestina durante todo o dia tem muito forró pé de serra, aboios, cantorias com apresentações de grupos locais, onde a  cultura das comunidades sertanejas é valorizada. 

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